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 Image Christine Biernath

Nem mais um passo adiante!

Gabriel Verlag
Estugarda / Viens 2007
ISBN 978-3-522-30105-3
188 páginas
a partir de 12 anos


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Resenha
Excertos
 

Em seu romance juvenil sobre violência doméstica, Christine Biernath narra a história de uma família bem situada, cujo pai é advogado. O enredo, que a cada página se torna mais dramático, é apresentado a partir das diferentes perspectivas dos dois filhos adolescentes. Cada capítulo é introduzido por um breve comentário de professores, vizinhos e colegas.

Benjamin Schneider é o filho mais velho da família. Ele tem 16 anos, é sensível e musical, quieto e reservado. Desde sua primeira infância, Benjamin guarda na memória cenas de violência na família. Porém, acha que não pode fazer nada contra o pai e, por isso, sofre silenciosamente com a mãe espancada e humilhada.

Sandra é mais nova que seu irmão Benjamin, que deve ter 13 ou 14 anos. Ela é completamente diferente de Benny, a quem chama com desprezo de “frouxo”, por ele gostar de música clássica e tocar piano a quatro mãos com a mãe. Sandra ouve hip-hop e gosta de ir a festas. Ela não toma conhecimento dos acessos de violência do pai, pois estes se dirigem única e exclusivamente contra a mãe. Freqüentemente Sandra envia e-mails à amiga de correspondência, nos quais relata como o pai é ‘cool’e como a mãe, que sempre a está advertindo para ser mais ajuizada, é chata e incapaz.

No romance de Christine Biernath, os depoimentos dos dois filhos adolescentes se alternam e as recordações de Benjamin aparecem acompanhando a troca de e-mails de Sandra. Enquanto que as cartas de Sandra sempre se referem aos acontecimentos atuais e expressam com uma linguagem nua e crua seus sentimentos, desejos e discussões com a mãe, os relatos de Benny fornecem uma imagem mais nítida da família e do meio em que vive. Aqui são descritas as diversas facetas da personalidade do pai, um homem, que também sabe ser amoroso e carinhoso. Contudo, os acessos de violência se repetem, sobretudo contra a mãe, que sempre procura a culpa em si mesma, ao invés de abandonar o marido. Benny se torna mais autoconfiante depois que conhece uma garota. A partir dessa nova situação, ele consegue criar coragem para enfrentar seu pai e impedir que o pior aconteça, quando a crise na família beira o insuportável.

A autora, ao colocar frente a frente as perspectivas dos irmãos, consegue expor um dos problemas mais difíceis relacionado à violência doméstica: a dificuldade de falar sobre o que está bem à vista de todos. Trata-se de um tabu, que os próprios membros da família reprimem pelo maior tempo possível. É uma experiência degradante e humilhante e, não raramente, a vítima é dominada por sentimentos de vergonha e de culpa. Tais cenas de auto-humilhação da mãe são mencionadas em algumas das recordações “relâmpago” do filho. O próprio garoto sofre com a impotência de não poder proteger a mãe por medo do pai. Em contrapartida, a irmã se identifica com o pai esportivo e bem sucedido e adota muitas vezes a atitude de menosprezo que o pai tem pela mãe. Os conflitos enfrentados por Sandra em sua puberdade vêm à tona, principalmente, nas discussões entre ela e a mãe, o que contribui para que ela tenha uma visão deturpada da realidade.

A sucessão de várias cenas curtas compõe gradativamente a imagem complexa de uma família. Esta faz de tudo para manter as aparências de uma existência burguesa em harmonia com o seu meio, enquanto que a situação dentro de casa se agrava até ao ponto de ficar fora de controle.

Christine Biernath aborda em seu livro um tema difícil e complexo sem cair no erro de simplificá-lo dentro do contexto de sua história. A violência doméstica não é algo raro e suas causas, muitas vezes, têm diversas origens. No livro, a autora soube como lançar luz sobre essa pluralidade, criando personagens complexos. São pessoas repletas de contradições, que, por vezes, tomam consciência de seus erros, mas, que apesar disso, não são capazes de mudar seu padrão de comportamento. O livro de Christine Biernath convida o leitor a refletir, pois nele, o leitor não encontrará fórmulas fáceis que apontem culpados ou que sirvam de explicação.

Heike Friesel
Agosto 2007
[Traduzido por Miriam Inês Wecker]



  
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