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 Image Melanie Laibl
Dorothee Schwab (Illustrator)

Um duende da floresta voa para Omã
Uma viagem em rimas


Kookbooks
Berlim 2008
ISBN 978-3937445311
32 páginas
A partir de 3 anos


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 Resenha

“Duendes da floresta são pequenos, minúsculos
Mas grandes são seus sonhos –
Onde mordiscam frutinhas, irritam ursos,
Se balançam nas árvores, risonhos.”

Uma viagem em rimas – este é o subtítulo do livro Um duende da floresta voa para Omã. A partir do trabalho conjunto da escritora Melanie Laibl com a ilustradora Dorothee Schwab surgiu um livro divertido que, com razão, recebeu o prêmio Romulus-Candea 2008 da organização designaustria. Pois não apenas as rimas originais, mas tambem as ilustrações inovadoras desse livro tornam muito fácil para as crianças mergulharem no mundo dos duendes, um mundo feito de frutinhas, folhas crepitantes e o sonho de uma volta ao mundo.

Tudo começa com os duendes que vivem nas copas das árvores — levando ali, aparentemente sem serem percebidos pelos homens, uma vida festiva. Mas entre todos esses duendes existe um que não é como os outros. Pois apesar de ele também gozar a vida entre as folhas, não está satisfeito com ela. Seu maior sonho, na verdade, é voar em torno da Terra: “Mas como alguém que, por natureza, não sabe voar poderá realizar essa proeza?” Porém, o desejo não dá paz ao duende, e no outono, quando as folhas caem e o vento sopra sobre a terra, ele aproveita sua chance transformando uma folha crepitante em avião.

Armado de uma grande porção de coragem e de seu chapéu de bolotas preferido, o duende inicia seu vôo em torno do mundo. Ao encontrar os anões gelados, ele quase fica congelado para sempre, em Zanzibar, o vento do deserto o leva adiante, e na Índia, ele aprende que as vacas sagradas às vezes só sabem dizer “muu”. Na China, ele tenta comer frutas com dois pauzinhos, e no Brasil dança tão bem que todos querem adotá-lo. Mas há muitas coisas ainda não vistas. O duende parte para surfar na Nova Zelândia e nem mesmo o grande tráfego de tapetes voadores em Omã o assusta. O simpático gênio da garrafa que encontra lá lhe dá as boas vindas: “Bem-vindo! “Você parece vir de um caminho infindo!”

O gênio tem razão e, depois de todas as aventuras, o duende resolve fazer uma pausa. Então, de repente, lembra-se de seus amigos em casa, na clareira, e decide voltar para casa. Após um longo voo de volta, ele é recebido calorosamente em sua floresta, pois se tornou quase um “grandioso super star internacional”. “Duende à vista!” ecoa o grito acima das copas das árvores, e a viagem do sonhador ao redor do mundo termina no mesmo lugar em que começara.

Um duende da floresta voa para Omã é uma impressionante viagem imaginária que consegue levar ao leitor a magia de países desconhecidos a partir da perspectiva do duende. É uma história sobre a coragem necessária quando se quer ousar algo especial, mesmo que ninguém mais compreenda esse desejo, e sobre o fato de que vale a pena acreditar em seus sonhos. Pois em cada página do livro a fascinação da distância e da aventura se torna visível de novo, e essa fascinação certamente não vai contagiar apenas crianças. Mas essa é também uma história sobre a felicidade de voltar para casa depois de uma longa viagem e de poder dividir com os amigos tudo o que se viveu.

As ilustrações desse livro merecem destaque: desenhos e fotografias, recortes de jornais e textos manuscritos são reunidos em uma técnica de colagem. E cada página traz uma surpresa: uma praia feita por um artigo de jornal, uma onda da foto de um prédio, ou um pássaro cantor de giz de cera. Justamente a mistura bem sucedida dos elementos utilizados torna esse livro único. Além disso, a técnica adapta-se ao conteúdo com grande mestria. Pois, exatamente como na narrativa, os limites entre a fantasia e a realidade se confundem, os elementos gráficos também nos fazem pensar: qual imagem é uma foto, e qual é um desenho? As folhas de outono rodopiantes são as duas coisas ao mesmo tempo. E como na narrativa tudo é visto a partir da perspectiva do duende da floresta, pequenas coisas parecem repentinamente enormes e, assim, mágicas: a orquídea na floresta tropical é gigantesca, e nos revela justamente por isso sua beleza única. E entre os icebergs esconde-se um boneco de neve que talvez só seja descoberto à segunda vista.

Não podemos deixar de mencionar dois extras especiais do livro: na última página há uma canção de boas-vindas dos duendes cujo texto conta a viagem inteira mais uma vez e que pode ser facilmente tocada, mesmo com poucos conhecimentos musicais. Além disso, há ainda anexo um mapa do mundo muito incomum no qual estão sinalizadas todas as estações do duende da floresta e todos os continentes brilham com fortes cores: amarelo para a África, verde para a América, um roxo escuro para a América do Sul, um vermelho intenso para a Ásia e, ao lado da branca Antártica, ainda há a Austrália em verde claro — um belo poster para pendurar no quarto.

Laibl e Schwab criaram, com Um duende da floresta voa para Omã, um livro infantil inteligente, convincente em todos os sentidos e que, além disso, ainda encoraja tanto crianças quanto adultos a ousarem. Pois, quando lhe perguntam o sentido de sua viagem, o duende, no final, responde: “É sempre melhor os seu sonhos seguir do que deixar sua vida fugir.”

Andrea Müller
Setembro de 2009
[Tradução de Renata Dias Mundt]



  
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