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| | | A Nova Lírica Alemã
A poesia lírica em ascensão
Claudius Nießen apresenta as vozes mais importantes e os talentos mais promissores dentre os novos líricos alemães.
É outono, a estação dos livros na Alemanha e, em Berlim, ocorre o 8º Festival Internacional de Literatura. Enquanto que a maioria dos eventos é realizada no nobre ambiente elitizado do teatro Westberliner Haus, um pequeno grupo de jovens autores
veio parar no Salão de Espelhos do salão de dança Clärchens Ballhaus, no bairro Mitte.
As tábuas rangem quando os garçons servem as bebidas, os espelhos nas paredes têm rachaduras e o salão irradia um charme de fim-de-século, decadente e voluptuoso.
New German Voices são anunciadas: junto com Ulrike Almut Sandig e Steffen Popp se apresentam mais dois importantes talentos da poesia lírica alemã. Mais de cem pessoas ouvem compenetradas o que Ulrike Sandig diz a respeito de seus poemas. Palavras introdutórias sobre as dificuldades de escrever e sobre os textos a serem apresentados. O tom é brando e intimista, de tal forma que mesmo não se entendo muito de poesia lírica, a expectativa em conhecer as pequenas obras de arte torna-se grande.

Zunder
Sobretudo: ler, recitar; é o que Ulrike Almut Sandig e seus colegas poetas sabem como ninguém. Com ênfase, sem ser lento e longe de ser rápido demais; a escolha precisa das palavras, com voz nítida. Após a publicação de seu livro de estréia “Zunder” em 2006, Ulrike Sandig recebeu o prêmio de poesia Lyrikpreis Meran e o prêmio de estímulo . Durante uma estadia em Sidney e como bolsista na casa de cultura Künstlerhaus Ahrenshoop, Ulrike escreve seu segundo livro de poesias, intitulado “Streumen”.

Streumen
Nos cadernos de cultura, já se atribui aos jovens poetas a “nova subjetividade” ou a “nova fragilidade”. Não importa. Claro é que os jovens autores têm consciência das formas e tradições sem se deixar aprisionar ou conduzir por elas.
É uma poesia de grandiosa plasticidade, mas com uma linguagem despojada. “Próxima ao coloquial”, definiu recentemente Enno Stahl, na rádio Deutschlandradio e observou com toda razão: “A poesia em sua concisão, em sua escassez e concentração é uma espécie de moeda forte da inovação literária.”
Mesmo assim, continua sendo um difícil ganha-pão. Não se trata de um fenômeno isolado da jovem poesia contemporânea o fato que seus autores são publicados em pequena tiragem, muitas vezes, por pequenas editoras, ou seja, por entusiastas. Não que nas grandes editoras sejam menos aficionados por livros – para a poesia lírica, muitas vezes, não sobra tempo.
É a vez dos auto-empreendedores: editoras que arriscam seu dinheiro e uma edição de 1000 ou 1500 livros por uma jovem voz. A venda de seiscentos exemplares já é considerada um sucesso. “O Poeta Pobre” (Armer Poet) do pintor Carl Spitzwegs, manda lembranças.
Ulrike Almut Sandig é publicada pelo editor e livreiro de Leipzig, Peter Hinke, da editora Connewitzer Verlagsbuchhandlung, que também publicou autoras promissoras como Mara Genschel e Kerstin Preiwuß na coleção de livros “Edition Wörtersee”, premiada em 2007 como a mais bela da Alemanha.
Chega-se a pensar que Peter Hinke – assim como Georg Maurer no passado – está reunindo uma nova escola de poetas à sua volta, inspirado, é claro, pela proximidade do Instituto de Literatura Alemã, no qual não estudaram somente romancistas conhecidos, como Juli Zeh e Clemens Meyer, mas também Ulrike Almut Sandig.
Antes de lançarem seu próprio livro, os novos poetas geralmente já são tema em uma das novas revistas de literatura, como “Edit” de Leipzig ou “Bella triste” de Hildesheim. Nelas, a situação da lírica alemã é pontuada desta forma: “Há muitas vozes, um caleidoscópio inteiro. É uma cacofonia, não uma lírica única, não é um estilo ou uma escola.”
O jornal semanal “Die Zeit” publicou, a propósito da Feira do Livro de Frankfurt, em seu remodelado suplemento da feira, uma coluna de fotos com perfis de autores de uma página inteira. Retratos de jovens poetas, desde Nora Bossong e Daniela Danz até André Rudolph e Jan Wagner. Mais tarde, uma declaração de imprensa constatava: “As fotos nos falam de sua concepção do mundo, de como vêem o mundo com seus poemas.” Há quem tivesse desejado um pouco mais de texto sobre estes autores ou textos escritos por eles. Pois todos eles são excelentes jovens poetas.
Inclusive, a lista de jovens líricos, beirando os trinta anos, é bem mais longa que se possa imaginar, levando em conta um meio literário no qual, aparentemente, todos os jovens autores querem vender e se tornar conhecidos: Nico Bleutge, Nora Bossong, Ann Cotten, Crauss, Daniela Danz, Carl Christian Elze, Daniel Falb, Nadja Küchenmeister, Björn Kuhligk, Dagmara Kraus, Norbert Lange, Steffen Popp, Monika Rinck, André Rudolph, Silke Scheuermann, Christian Schloyer, Tom Schulz, Rafael Urweider, Anja Utler, Jan Wagner, Ron Winkler, Uljana Wolf.
Em meio a toda gritaria em torno de best-sellers e a superficialidade, mudanças concretas na literatura, assim os comentários, são sobretudo visíveis na poesia lírica. Razão o suficiente para não perder as esperanças.
Prêmios e Concursos
Leonce und Lena Preis, Darmstadt
www.literarischer-maerz.de
Open Mike, Berlin
www.literaturwerkstatt.org
Lyrikpreis Meran
www.kuenstlerbund.org/de/lyrikpreis
Horst-Bienek-Preis für Lyrik
www.badsk.de/modlbie.html
Editoras
Kookbooks
www.kookbooks.de
Connewitzer Verlagsbuchhandlung
www.cvb.de
Lyrikedition 2000
www.lyrikedition-2000.de
Revistas
Krachkultur
www.krachkultur.de
Edit
www.editonline.de
Bella triste
www.bellatriste.de
Intendenzen
www.intendenzen.de
[Traduzido por Miriam Înes Wecker]
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