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Quando a inveja vem a galope
Entre os sentimentos menos nobres que quase todos conhecem mas que poucos reconhecem em si mesmos encontra-se a inveja. Julinha também não está livre dele e desencadeia uma animada corrente de inveja e desejo que só encontra um final feliz em Sebastião, o careca alegre.
Em sua cabeça, Julinha ostenta uma bela cabeleira cacheada, mas preferiria ter os cabelos lisos da princesa Ester. Esta, por sua vez, gostaria de comer mais arroz com feijão e inveja a barriga do cozinheiro João, que, por outro lado, não sabe cozinhar tão bem como o padeiro Rodrigo que sonha em morar numa casa maior. Assim, existem mil coisas que gostaríamos de ser ou de poder ter e sempre há alguém ou algo a invejar. É claro que isso resulta num tremendo mau humor... mas é possível encontrar pessoas satisfeitas consigo mesmas e que passam pela vida com alegria contagiante – como o descolado Sebastião, o careca que adora organizar festas para todo mundo e acaba quebrando toda essa corrente de inveja por não estar nem aí para os cachos de Julinha.
Com suas refinadas e belas ilustrações, este livro de Karen Holländer e Thilo Krapp tem tudo para se tornar um clássico do gênero. Os encantadores versos duplos primeiramente apresentam os supostos defeitos dos personagens para depois mostrarem os pequenos ou grandes desejos que eles almejam alcançar numa sonhada situação ideal. A cada personagem e seus desejos foi dedicada uma generosa página dupla, concebida pelo ilustrador Krapp, misturando desenho e colagem. O desenhista, porém, não se limita às suas ilustrações e acaba inventando também diversas histórias paralelas: piratas encontram tesouros num rio, uma dama aprumada atravessa uma porta no nada e serve café. Seu humor aguçado também se revela no jacaré sempre presente em algum canto de página comentando, sem palavras, o que está acontecendo. Aqui os pequenos leitores encontram muito material e assunto com que se ocupar e aprender.
A clara mensagem deste livro transparece de modo agradável e eficiente nos curiosos e engraçados desejos dos invejosos, bem como nas criativas ilustrações, o que possibilita à criança aprender sem, no entanto, sentir-se doutrinada. E essa é uma das qualidades do livro que mais agradam a todos.
Heike Friesel
dezembro 2007
[Traduzido por Christine Rohrig)
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