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 Image Martin Baltscheit

Major Dux ou o dia em que a música foi proibida!
Vivenciado e registrado por Bartolomeu Bob


Boje Verlag
Colônia 2007
ISBN 978-3-414-82033-4
96 páginas
a partir de 10 anos


 

Uma história sobre a força da música e o poder do amor

Para escrever seu livro „Major Dux“, Martin Baltscheit fez empréstimos dos mais diferentes gêneros da literatura, música e cinema, e construiu a partir daí uma trama empolgante e atemporal. O livro se debruça sobre vários temas: liberdade, resistência, os caminhos cruzados do amor e ainda a força da música. Com seus desenhos, que são bem mais que meras ilustrações do texto, Baltscheit dá um grande passo em direção ao que se poderia chamar de uma literatura de quadrinhos. A apresentação gráfica do livro é um elemento fundamental da história: através do uso de distintas cores e tamanhos para as letras o autor consegue transformar o som em algo visual. Algumas páginas têm um fundo preto, porque o protagonista está num túnel. E quando o lendário trompetista Chester Brown toca seu instrumento, concentrado, as palavras dançam como notas descendo do céu.

„Major Dux“ conta a história de um golpe de estado do amor (o que se fica sabendo apenas no desfecho). Um dia, todo tipo de música é repentinamente proibido, até mesmo os pássaros não podem mais cantar. Somente na clandestinidade, no mundo subterrâneo, ainda existem refúgios dos músicos de jazz, embora esses também sejam detectados pela Polícia do Barulho e os últimos bravos músicos são empurrados para um armadilha. Entre eles está não apenas o narrador Bartolomeu Bob, como também Betty Borboleta, a talentosa cantora, que há bem pouco tempo deixou de ser uma lagarta gorducha e feiosa, e Chester Brown, o lendário trompetista. Ele consegue fazer algo que todos os outros não conseguiram juntos: com seu som dourado ele derruba o muro da prisão. Como numa espécie de marcha do triunfo os libertados caminham em direção ao Ministério do Barulho e Acústica, para prender o temível Major Dux, que parece se esconder atrás da proibição da música. Mas lá eles se surpreendem: em vez de um gigante de meter medo, o Major é apenas um pato silvestre carente, que não quer ouvir nada exceto o canto da adorada Betty Borboleta.

Narrada de maneira empolgante e sem afetação, num estilo de „film noir“, esta fábula do jazz desenvolve uma dinâmica cativante, que alcança seu surpreendente ponto máximo com o bem-sucedido clímax. O tom da narrativa é escolhido de modo tão casual, que não é de surpreender que Sam Spade apareça de repente na história, de braços dados com o gigante do Bebop. É divertido „experimentar“ este livro, afinal sua história não representa meramente uma leitura. Ela inspira bem mais do que se pode sondar aqui neste espaço: ouvir sua música, ver seus filmes e aprender algo de sua relação concisa com grandes questões. Bem de passagem...

Heike Friesel

Agosto 2007

[Traduzido por Eduardo Simões]



 

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